Operações financeiras

Novo salário mínimo: entenda como o reajuste impacta o seu bolso

01 jul 2026 · 7 min de leitura


OPERAÇÕES FINANCEIRAS

Banco Travelex · 01 jul 2026 · 7 min de leitura


O salário mínimo de 2024 terá um reajuste de pelo menos R$ 92, aumento de 6,97% em relação ao valor de 2023, passando a ser R$ 1.412. No ano anterior, o piso nacional era de R$ 1.302, porém após o governo federal conceder um reajuste adicional a partir de 1º de maio, o valor foi corrigido para R$ 1.320.

Segundo a Constituição, a política de valorização do salário mínimo (aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva) é composta pela soma de dois índices: o Índice Nacional de Preço dos Consumidores (INPC) dos últimos 12 meses até novembro e o produto interno bruto (PIB) consolidado de dois anos anteriores.

Neste ano, o cálculo é realizado a partir do INPC, acumulado até novembro, que foi de 3,85%, e o PIB de 2022 de 3%. Com isso, é feito: 1+PIB de 2022 multiplicado por 1+INPC multiplicado por R$ 1.320.

O valor exato obtido seria de R$ 1.411,95, mas a regra estabelece que o salário mínimo seja aproximado para cima no caso de valores decimais.

Aumento ainda não é ideal

É fundamental destacar que o montante de R$ 1.412, se confirmado, estará abaixo dos R$ 1.421 previstos pela política de valorização do salário mínimo, que visa superar a inflação, além da proposta delineada pelo governo no Orçamento apresentado em agosto de 2023.

O valor do salário mínimo também serve como referência para o seguro-desemprego, cuja parcela não pode ser inferior ao piso salarial. No cálculo do benefício concedido ao trabalhador, o governo leva em consideração a média dos três salários anteriores à demissão e, em seguida, aplica um redutor, dependendo da faixa de remuneração.

De acordo com dados calculados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário mínimo em novembro deveria ser de R$ 6.294,71, correspondendo a 4,77 vezes o valor do mínimo atual, fixado em R$ 1.320, e 4,45 vezes o valor do mínimo projetado para 2024. O resultado leva em conta despesas com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.

Movimentação da economia

De toda forma, ao injetar mais dinheiro na economia, o aumento do salário mínimo também é capaz de aquecer o mercado. Com mais capital circulando e pessoas consumindo, é esperado que a inflação aumente.

O aumento da inflação, por sua vez, impacta diretamente na rentabilidade de títulos públicos, já que o IPCA indexa alguns deles. Uma vez que os juros são ajustados para combater a inflação, um quadro de IPCA alto também contribui para o aumento da Selic, a taxa básica de juros, que por sua vez é outro indexador de títulos públicos.

Origem da formulação do salário mínimo

Antes da implementação de políticas específicas, as condições de trabalho e remuneração eram frequentemente precárias, com jornadas extensas e salários insuficientes para atender às necessidades básicas dos trabalhadores. A necessidade de estabelecer um piso salarial que garantisse condições mínimas de subsistência e dignidade ganhou destaque durante o governo de Getúlio Vargas, na década de 1930.

Em 1934, a Constituição Federal brasileira trouxe pela primeira vez a ideia de um salário mínimo. No entanto, foi somente em 1940, com a promulgação do Decreto-Lei nº 399, que o salário mínimo foi oficialmente instituído no país. 

A fórmula inicial para o cálculo do salário mínimo considerava as necessidades básicas de uma família média, a alimentação, o vestuário, a habitação, o transporte e as despesas diversas. Esse modelo evoluiu ao longo do tempo, passando por diversas fases e ajustes, mas sempre com o objetivo de assegurar uma remuneração digna aos trabalhadores e garantir condições mínimas de vida.

Confira o histórico do salário mínimo no Brasil desde a implementação do Plano Real até 2023/24

A partir de dados computados pelo Dieese, confira o histórico do salário-mínimo entre 1994 e 2023/24

  • 2023: R$ 1.302 em janeiro – aumento de 7,5% / R$ 1.320 a partir de maio – aumento de 1,4%
  • 2022: R$ 1.212 – aumento de 10,18%
  • 2021: R$ 1.100 – aumento de 5,26%
  • Jan 2020: R$ 1039 – aumento de 4,11% / R$ 1.045 – aumento de 0,58%
  • 2019: R$ 998 – aumento de 4,61%
  • 2018: R$ 954 – aumento de 1,81%
  • 2017: R$ 937 – aumento de 6,48%
  • 2016: R$ 880 – aumento de 11,68%
  • 2015: R$ 788 – aumento de 8,84%
  • 2014: R$ 724 – aumento de 6,78%
  • 2013: R$ 678 – aumento de 9%
  • 2012: R$ 622 – aumento de 14,13%
  • 2011: R$ 545 – aumento de 5,88%
  • 2010: R$ 510 – aumento de 9,68%
  • 2009: R$ 465 – aumento de 12,05%
  • 2008: R$ 415 – aumento de 9,21%
  • 2007: R$ 380 – aumento de 8,57%
  • 2006: R$ 300 – aumento de 16,67%
  • 2005: R$ 260 – aumento de 15,38%
  • 2004 :R$ 260 – aumento de 8,33%
  • 2003: R$ 240 – aumento de 20%
  • 2002: R$ 200 – aumento de 11,11%
  • 2001: R$ 180 – aumento de 19,21%
  • 2000: R$ 151 – aumento de 11,03%
  • 1999: R$ 136 – aumento de 4,62%
  • 1998: R$ 130 – aumento de 8,33%
  •  -1997: R$ 120 – aumento de 7,14%
  • 1996: R$ 112 – aumento de 12%
  • 1995: R$ 100 – aumento de 42,86%
  • 1994: R$ 70 – aumento de 8,04%
  • 1994: R$ 64,79

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