A última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) aconteceu nos dias 19 e 20 de março de 2024 e determinou um novo corte de 0,50 ponto percentual na taxa básica de juros. Com a decisão, a taxa Selic caiu para 10,75% ao ano – menor valor desde o início de 2022.
O colegiado, composto pelos chefes de determinados departamentos do Banco Central e o presidente do BC, iniciou o atual ciclo de queda dos juros em agosto de 2023, quando a taxa passou de 13,75% para 13,25% ao ano — a primeira redução desde 2020.
Mas afinal, o que é a taxa Selic?
A taxa Selic é uma das taxas de juros mais importantes no Brasil. Ela serve como referência para diversas operações financeiras no país. Assim como a definição do índice em março, ela é determinada em reuniões pelo Copom, que é vinculado ao Banco Central do Brasil, e é utilizada como instrumento para controlar a inflação e regular a economia nacional.
Ela é calculada a partir da média ponderada dos juros praticados em empréstimos interbancários de um dia para outro. Ou seja, é o índice pelo qual os bancos emprestam dinheiro entre si diariamente.
Esse processo é realizado por meio do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (a Selic), que funciona como uma espécie de câmara de compensação para as transações financeiras entre as instituições bancárias.
A importância do manejo dessa política monetária está relacionada à influência sobre a economia como um todo. Então, quando o Copom decide aumentar a taxa Selic, isso tende a encarecer o crédito e desestimular o consumo e os investimentos, o que pode ajudar a controlar a inflação.
Por outro lado, quando reduz a taxa, o crédito se torna mais barato, incentivando o consumo e os investimentos, o que pode estimular o crescimento econômico, mas também pode acarretar em pressões inflacionárias.
Além disso, ela também influencia diretamente o rendimento de diversos investimentos, como os títulos públicos do Tesouro Direto, as aplicações em renda fixa e até mesmo as taxas de juros cobradas em financiamentos e empréstimos.
E como as variações afetam o mercado cambial?
A taxa de juros do país impacta diretamente o câmbio. Quanto mais alta for a taxa Selic, mais investidores estrangeiros vêm ao mercado brasileiro atrás das operações conhecidas por carry trade.
Na prática, trata-se de uma aplicação financeira que consiste em tomar dinheiro a uma taxa de juros em um país e aplicá-lo em outra moeda, onde as taxas de juros são maiores – e, assim, lucrar com a diferença.
No contexto brasileiro, quando a taxa Selic está alta, o real brasileiro tende a oferecer retornos mais atrativos em investimentos denominados na moeda local. Dessa forma, atraímos investidores estrangeiros a realizarem empréstimos em moedas com taxas de juros mais baixas, como o dólar americano ou o euro, e investir esses fundos em ativos brasileiros, aproveitando a diferença nas taxas de juros. Isso aumenta a demanda pela moeda brasileira e pode levar à valorização do real em relação a outras unidades monetárias estrangeiras.
Por outro lado, se a taxa Selic cair, a atratividade dos investimentos em reais pode diminuir, reduzindo o interesse dos investidores estrangeiros em realizar carry trade com o real. Isso pode levar a uma saída de capitais do Brasil, pressionando o câmbio para baixo.
Fique por dentro: Próximas reuniões do Copom
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