Operações financeiras

Além do DREX: quais outras moedas digitais já existem ou estão em fase de teste

01 jul 2026 · 7 min de leitura


OPERAÇÕES FINANCEIRAS

Banco Travelex · 01 jul 2026 · 7 min de leitura


Nos últimos anos, o termo CBDC – sigla em inglês para Central Bank Digital Currency, ou moeda digital emitida por banco central – ganhou força no noticiário econômico. Trata-se de uma nova geração de dinheiro, com potencial para transformar a forma como governos, empresas e cidadãos lidam com transações financeiras.

As CBDCs são moedas oficiais emitidas pelas autoridades monetárias de cada país, com o mesmo valor e garantias da moeda física tradicional. A proposta é oferecer um meio de pagamento digital mais eficiente, seguro e rastreável — reduzindo custos com papel-moeda, combatendo fraudes e promovendo a inclusão financeira.

No Brasil, o projeto da moeda digital batizada de Drex já está em testes avançados. Mas o país não está sozinho nessa jornada: segundo dados do Atlantic Council, mais de 130 países estão explorando ou testando suas próprias moedas digitais, representando cerca de 98% da economia global.

A seguir, veja o panorama internacional e os principais desafios e aprendizados dessa nova fase da economia digital.

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Sand Dollar, eNaira e Jam-Dex: as primeiras experiências no mundo

As Bahamas foram pioneiras no lançamento de uma moeda digital. Em 2020, o país caribenho colocou em circulação o Sand Dollar, com foco na inclusão financeira e na facilidade de uso em áreas remotas ou com infraestrutura limitada. O projeto inovou ao permitir transações offline — uma vantagem importante em regiões sujeitas a instabilidades climáticas.

Na África, a eNaira, da Nigéria, foi lançada em 2021 com a promessa de ampliar o acesso da população a serviços financeiros. Mesmo funcionando até em celulares sem internet, o uso da moeda permanece limitado, com adesão abaixo do esperado. Entre os principais obstáculos estão a falta de confiança da população e o baixo incentivo à sua utilização no dia a dia.

Já na Jamaica, o governo apostou em estímulos financeiros para atrair usuários ao Jam-Dex, lançado em 2022. Apesar do esforço, a moeda digital enfrenta desafios semelhantes, como o apego ao dinheiro físico, baixa participação dos bancos comerciais e resistência de comerciantes.

Essas experiências mostram que, além da tecnologia, é fundamental investir em educação financeira, infraestrutura e políticas de incentivo para promover o uso efetivo das moedas digitais.

A força do e-CNY: o projeto ambicioso da China

A China é um dos países mais avançados no desenvolvimento de sua moeda digital. Desde 2019, o e-CNY, ou yuan digital, vem sendo testado em dezenas de cidades. Com milhões de carteiras criadas e trilhões de yuans em transações, o projeto impressiona pelo volume e pela escala.

Um dos principais objetivos da iniciativa é reduzir a dependência de plataformas privadas, como WeChat Pay e Alipay, que dominam o mercado de pagamentos no país. No entanto, a forte concorrência dessas empresas, que oferecem um ecossistema completo de serviços, tem dificultado a adoção em massa do e-CNY.

Apesar disso, a China segue como uma vitrine global para o potencial das CBDCs — especialmente em termos de integração com contratos inteligentes, rastreabilidade e controle regulatório.

Europa, Japão e Brasil: o avanço dos projetos-piloto

Além dos países que já lançaram suas moedas digitais, outras grandes economias estão em fase de testes. No G20, grupo que reúne as principais potências do mundo, 13 nações já possuem pilotos ativos, incluindo União Europeia, Japão, Índia, Austrália, Rússia e Brasil.

Na zona do euro, o Banco Central Europeu avalia o potencial de um euro digital, visando facilitar transações digitais e garantir a soberania monetária diante da ascensão de métodos de pagamento não bancários.

No Brasil, o Drex — nome oficial da nossa moeda digital — segue em fase de testes desde 2023. A expectativa é que o Drex facilite o acesso da população a serviços financeiros como empréstimos, seguros e investimentos, usando tecnologias como contratos inteligentes para tornar as transações mais seguras, automatizadas e eficientes.

O que as CBDCs podem oferecer às empresas?

Embora a inclusão financeira da população seja uma das promessas das moedas digitais, as experiências até aqui indicam que o maior impacto pode ocorrer no setor empresarial. A automação de pagamentos, a redução de intermediários e o uso de contratos inteligentes abrem portas para novos modelos de negócio — especialmente em segmentos que demandam agilidade e rastreabilidade.

Além disso, as CBDCs têm potencial para modernizar o comércio internacional, facilitando transações entre países, reduzindo custos de câmbio e diminuindo a dependência de sistemas de compensação privados. Com a devida padronização e cooperação internacional, essas moedas podem redefinir o futuro dos pagamentos entre fronteiras.

Leia mais: Conheça termos econômicos e financeiros

Inovação que se conecta com o futuro do câmbio

O avanço das moedas digitais emitidas por bancos centrais marca uma nova etapa da transformação digital no sistema financeiro global. Ainda que os desafios sejam muitos — como infraestrutura, adesão do público e regulação —, as CBDCs representam uma oportunidade concreta de modernização.

No Brasil, o Drex surge como um passo estratégico rumo à digitalização da economia, com impactos esperados especialmente no ambiente empresarial. E é nesse cenário que instituições como o Travelex Bank se destacam, acompanhando de perto as inovações e oferecendo soluções em câmbio que conectam sua empresa ao futuro das finanças globais.

Leia mais: Como receber seu salário do exterior

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