Operações financeiras

Boletim Focus: mercado eleva projeções da Selic para 2025 e 2026

01 jul 2026 · 7 min de leitura


OPERAÇÕES FINANCEIRAS

Banco Travelex · 01 jul 2026 · 7 min de leitura


O Boletim Focus, relatório semanal publicado pelo Banco Central, trouxe em sua edição mais recente, publicada no início do mês, uma revisão das projeções para a taxa básica de juros, a Selic, em 2025 e 2026. 

Os números revelam que o mercado espera uma trajetória de juros mais altos do que o previsto anteriormente, com a taxa sendo ajustada para 10,5% ao ano em 2025 e para 9,5% ao ano em 2026, mudança que sinaliza que o controle da inflação e a estabilidade econômica exigirão uma política monetária mais rigorosa por um período mais prolongado.

Veja os parâmetros da projeção para os próximos dois anos.

Primeiro, entenda o papel da Selic na economia brasileira

A Selic, sigla para Sistema Especial de Liquidação e Custódia, é a taxa básica de juros da economia brasileira, influenciando outras taxas de crédito e investimento. 

Ela é definida pelo Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central e tem como principal objetivo controlar a inflação, ao mesmo tempo em que impacta o custo do crédito, o consumo, os investimentos e a dívida pública.

Quando a Selic é elevada, o crédito tende a ficar mais caro, desestimulando o consumo e os investimentos, o que ajuda a reduzir a pressão inflacionária. Por outro lado, taxas mais baixas incentivam o crescimento econômico, mas podem levar ao aumento da inflação se não forem bem calibradas. 

Em resumo, a Selic é uma ferramenta central para manter o equilíbrio da economia e garantir a estabilidade de preços.

Revisão das projeções para 2025 e 2026

A publicação de janeiro aponta que o mercado revisou para cima suas projeções para a Selic nos próximos anos. Para 2025, a estimativa subiu de 9,5% para 10,5% ao ano. Já para 2026, a taxa foi ajustada de 9% para 9,5% ao ano. 

Essa mudança indica que o mercado acredita que o Banco Central precisará manter uma política monetária restritiva por mais tempo do que era esperado anteriormente, devido à persistência de pressões inflacionárias e incertezas fiscais.

Além disso, as projeções para 2027 também foram revisadas, com a expectativa de chegar a  8,5% ao ano, acima dos 7,5% estimados previamente. 

O que influencia as projeções?

As revisões do Boletim Focus são resultado de uma série de fatores internos e externos que impactam a economia brasileira, como: 

  • O aumento do déficit público e as dificuldades do governo em cumprir metas fiscais, a percepção de que a política fiscal está desalinhada com a necessidade de ajustes estruturais pressiona o Banco Central a manter juros elevados, como forma de conter a inflação e atrair investidores, tem gerado preocupação no mercado.
  • Apesar das altas na Selic nos últimos anos, a inflação tem mostrado resistência em convergir para a meta de 3%. Fatores como a alta de preços administrados, como combustíveis e energia elétrica, e a volatilidade nos preços de alimentos têm contribuído para manter o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acima do esperado.

No Boletim Focus, a projeção para o IPCA de 2025 foi ajustada de 3,5% para 3,8%, enquanto para 2026 subiu de 3% para 3,3%.

  • O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, tem mantido juros elevados para combater a inflação, o que torna os títulos norte-americanos mais atrativos para investidores, pressiona o câmbio no Brasil e força o Banco Central a manter juros mais altos para preservar a competitividade dos títulos brasileiros e evitar uma desvalorização cambial muito maior.

Selic elevada? Entenda como isso pode impactar a economia brasileira como um todo

A manutenção de juros altos por um período prolongado traz uma série de impactos

No setor público, a manutenção de juros altos por um período prolongado aumenta o custo do financiamento da dívida pública, já que os títulos emitidos pelo Tesouro Nacional têm seus rendimentos atrelados à taxa básica de juros. 

Esse cenário pressiona ainda mais as contas públicas, o que dificulta o cumprimento de metas fiscais e amplia o déficit orçamentário. 

Na economia real, consumidores enfrentam juros mais altos que encarecem o crédito e tornam financiamentos, como empréstimos pessoais, imobiliários e de veículos, mais onerosos. Para empresas, o aumento no custo do capital desestimula novos investimentos, especialmente em setores que dependem de financiamentos de longo prazo.

Por outro lado, os investidores em renda fixa podem se beneficiar nesses períodos, já que os títulos públicos e privados oferecem retornos mais atrativos. 

Vale lembrar, no entanto, que o encarecimento do crédito e a redução no consumo podem impactar negativamente o mercado de ações, especialmente em setores que dependem da atividade econômica para crescer. 

Embora o mercado projete a manutenção da Selic em patamares elevados até 2026, o comportamento futuro da taxa depende de diversos fatores, incluindo a capacidade do governo de implementar ajustes fiscais, reduzir o déficit público, conter a inflação e acompanhar a normalização das políticas monetárias em economias desenvolvidas, como os Estados Unidos e a Europa. 

A interação entre a política fiscal e monetária continuará sendo um ponto de atenção nos próximos anos, especialmente em um cenário de pressões internas e externas que desafiam o equilíbrio macroeconômico do Brasil.

Leia também:

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Fonte: UOL | Exame

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