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IPCA fecha 2024 em 4,71%, acima da meta da inflação do Conselho Monetário Nacional

01 jul 2026 · 7 min de leitura


OPERAÇÕES FINANCEIRAS

Banco Travelex · 01 jul 2026 · 7 min de leitura


O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), principal indicador de inflação do Brasil, encerrou o ano de 2024 em 4,71%, conforme dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). 

Embora esteja pouco abaixo da taxa do ano de 2023, que foi de 4,72%, o número ultrapassa o teto da meta estipulada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), fixada em 4,50% com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Essa ultrapassagem reflete desafios significativos para a política econômica do país.

Dinâmica dos preços em 2024

O IPCA é um dos principais indicadores do Brasil e reflete a variação dos preços de uma cesta de bens e serviços consumidos pelas famílias brasileiras com rendimento de 1 a 40 salários mínimos, servindo como um termômetro da inflação no país. 

Entre os grupos que mais influenciaram o índice no ano de 2024, “alimentação e bebidas” se destacou com uma alta acumulada de 8%. Produtos como óleos e gorduras (20,42%), carnes (19,48%) e frutas (14,18%) também registraram aumentos expressivos. 

Outros grupos também apresentaram grande elevação, como “educação” (6,82%) e “saúde e cuidados pessoais” (6,03%). Por outro lado, grupos como “artigos de residência” (0,83%) e “vestuário” (2,25%) tiveram aumentos mais modestos, enquanto o setor de “habitação” apresentou deflação em dezembro, ajudando a conter parcialmente a inflação do mês.

Apenas no último mês de 2024, o IPCA registrou alta de 0,34%, menor do que a prévia de novembro (0,62%) e de dezembro de 2023 (0,40%). O grupo “alimentação e bebidas” permaneceu como o principal responsável pela pressão inflacionária, impulsionado por itens como óleo de soja (9,21%) e carnes bovinas. Por outro lado, o grupo “habitação” registrou uma deflação de 1,32%, em razão da redução nas tarifas de energia elétrica residencial.

Inflação contínua e o novo regime de metas

O Banco Central do Brasil utiliza o IPCA como um dos pilares da definição da política monetária, especialmente na determinação da taxa básica de juros, a Selic. 

Quando o IPCA se encontra acima da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), o BC pode aumentar a Selic para conter a inflação. Taxas de juros mais altas tendem a reduzir o consumo e o investimento, impactando negativamente a economia, mas também aumentam a atratividade de investimentos em renda fixa, que passam a oferecer retornos mais elevados.

Desde 2024, a meta de inflação passou a ser apurada de forma contínua, considerando a inflação acumulada em 12 meses. Isso aumenta a exigência de convergência para o centro da meta, fixado em 3%, e amplia os desafios para o Banco Central. 

Se o IPCA ultrapassar o intervalo de tolerância por seis meses consecutivos, considera-se que o CMN perdeu o controle do indicador.

Apesar de ter ficado abaixo do teto da meta por pouco, o IPCA anual reflete pressões que vão além do cenário interno, como o aumento nos preços de commodities, a desvalorização cambial e condições climáticas adversas que impactaram a produção de alimentos.

Leia também: Como o IPCA influencia a rentabilidade dos investimentos 

Projeções futuras

A política de juros altos foi um dos pilares adotados pelo Copom (Comitê de Política Monetária) para conter a inflação. Em sua última reunião de dezembro, o Copom elevou a Selic para 12,25% ao ano, com a sinalização de mais duas elevações de 1 ponto percentual em 2025. 

A expectativa é de que a Selic alcance 14,25% em março, um movimento que reflete a preocupação com a convergência da inflação à meta de 3%.

De acordo com o Boletim Focus, elaborado semanalmente pelo BC, a mediana das projeções para a Selic no final de 2025 subiu de 14,75% para 15,00%. Esse movimento foi acompanhado de uma elevação nas projeções para os anos seguintes. Para 2026, a expectativa é de 12,0%, e para 2027, 10,0%.

PIB e o Câmbio

O PIB (Produto Interno Bruto) de 2024 teve um crescimento estimado em 3,49%, e se manteve estável em relação às projeções de semanas anteriores. Esse desempenho foi impulsionado pelo setor de serviços e pela retomada de investimentos públicos. Para 2025, a mediana das projeções indica crescimento de 2,02%, enquanto para 2026 e 2027 as expectativas são de 1,80% e 2,0%, respectivamente.

No mercado cambial, o dólar encerrou 2024 cotado a R$ 6,1802, o maior nível nominal já registrado no fechamento de um ano. As projeções para 2025 indicam uma cotação de R$ 6,00, enquanto para 2026 e 2027 os valores estimados são R$ 5,90 e R$ 5,80, respectivamente. 

E atenção: a desvalorização cambial impactou diretamente os preços de produtos importados, como combustíveis e insumos industriais, contribuindo para a pressão inflacionária, e essa tendência deve perdurar até pelo menos até o final do primeiro trimestre do ano.

E quais são as perspectivas para 2025?

Com o IPCA de 2024 acima do teto da meta, o BC enfrenta o desafio de equilibrar a política monetária para conter a inflação sem prejudicar o crescimento econômico. A continuidade do regime de juros altos é vista como uma necessidade para ancorar as expectativas do mercado e evitar uma espiral inflacionária.

Além disso, a alta nos preços de alimentos e a desvalorização cambial devem continuar sendo fatores de risco em 2025. O RTI (Relatório Trimestral de Inflação) indica que será necessário manter os juros acima de 13,75% para garantir a convergência da inflação para o centro da meta.

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Fonte: Valor Econômico

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