Operações financeiras

O que é American Depositary Receipt (ADR) e como funciona?

01 jul 2026 · 7 min de leitura


OPERAÇÕES FINANCEIRAS

Banco Travelex · 01 jul 2026 · 7 min de leitura


Investir em empresas estrangeiras sem precisar abrir conta em uma corretora internacional ou lidar com burocracias cambiais é uma possibilidade que atrai muitos investidores. Para quem busca diversificação geográfica e exposição a mercados internacionais, os American Depositary Receipts (ADRs) se apresentam como uma alternativa acessível e regulamentada dentro das bolsas dos Estados Unidos. 

Esses certificados foram criados para permitir que investidores estadunidenses negociem ações de empresas estrangeiras diretamente em dólares, com a mesma facilidade de comprar uma ação listada na NYSE ou na Nasdaq.

Entenda o conceito

Os ADRs surgiram no início do século XX como uma alternativa para investidores que desejavam diversificar suas carteiras sem precisar negociar diretamente em bolsas estrangeiras. Esse mecanismo reduziu barreiras como diferenças regulatórias, custos adicionais e a necessidade de operar em moedas estrangeiras. 

Na prática, ao comprar um ADR, o investidor adquire um título que representa ações de uma empresa listada fora dos Estados Unidos, sem precisar operar diretamente na bolsa onde essa companhia tem seu registro original.

Em resumo, ele facilita o investimento em companhias de fora do país por investidores dos EUA e permite que esses ativos sejam comprados e vendidos em dólares, além de seguir as regulamentações do mercado financeiro exterior.

Esse tipo de investimento é parecido com BDRs. A diferença é que o BDR você consegue investir na bolsa brasileira, em ações que se assemelham e se comportam como ações americanas. Isso é administrado por um banco de investimento ou um fundo de investimento que faz a mesma posição adquirida no Brasil, mas em uma corretora americana.

Leia mais: Descubra o que são e como investir em BDR’s 

O ADR é o mesmo conceito, mas efetuado por um banco/corretora americana, expondo ações de empresas internacionais ao mercado americano (inclusive brasileiras), sem a necessidade de abrir uma conta fora dos EUA.

Nesse contexto, esse é um mecanismo de investimento e nós como banco especializado em câmbio viabilizamos o processo de transferência internacional de recursos para os EUA para que uma pessoa física ou jurídica tenha acesso ao mercado americano e realize investimentos utilizando essa modalidade de ADR para exposição à mercados globais.

Na prática, a escolha entre investir diretamente ou indiretamente em um ADR depende dos objetivos do investidor e da estrutura tributária envolvida. Se o objetivo for investir de forma simplificada e acessível, os ADRs podem ser uma boa alternativa. Mas se a intenção for maximizar ganhos e reduzir tributos, investir diretamente no exterior pode ser mais eficiente.

Como eles funcionam

O funcionamento do ADR envolve a intermediação de um banco depositário, geralmente uma instituição financeira de grande porte que emite os certificados e atua como responsável pela administração dos papéis no mercado americano. 

Esse banco adquire as ações da empresa estrangeira no país de origem e as deposita em uma instituição custodiante local. Com base nesses ativos, ele emite os ADRs, que passam a ser negociados nos Estados Unidos como se fossem ações convencionais.

Cada ADR pode representar uma fração, uma ação inteira ou um lote de ações da empresa estrangeira, dependendo da estrutura definida pelo banco depositário. É Isso permite ajustes para tornar os papéis mais acessíveis ao mercado norte-americano, adequando valores unitários às faixas de preço das bolsas locais.

Os investidores que compram ADRs têm direitos semelhantes aos dos acionistas da empresa estrangeira, incluindo o recebimento de dividendos, caso a empresa distribua lucros. O pagamento é feito em dólares e, muitas vezes, pode sofrer descontos referentes à taxas administrativas do banco depositário.

Tipos de ADR

  • ADR Nível 1: é o mais simples e tem menor exigência regulatória. Empresas que emitem ADRs nesse nível não precisam cumprir todos os requisitos da SEC (Securities and Exchange Commission), o órgão regulador dos mercados financeiros dos EUA. Esses papéis são negociados no mercado de balcão (OTC) e costumam ter menor liquidez.
  • ADR Nível 2: possui exigências regulatórias mais rigorosas, pois as empresas emissoras devem seguir regras da SEC, incluindo a divulgação de informações financeiras compatíveis com as normas contábeis norte-americanas. Os papéis desse nível podem ser negociados em bolsas como a NYSE ou Nasdaq, que garantem maior visibilidade e liquidez.
  • ADR Nível 3: representa o nível mais elevado de ADRs e permite que as empresas estrangeiras realizem ofertas públicas de ações (IPOs) diretamente no mercado norte-americano. Para isso, é necessário cumprir todas as exigências regulatórias da SEC, o que inclui auditorias e a adoção de padrões contábeis específicos. Esse nível possibilita a captação de recursos diretamente nos Estados Unidos.

ADRs no mercado brasileiro?

Empresas de diversos setores utilizam ADRs para acessar o mercado norte-americano. 

Esses papéis permitem que investidores dos Estados Unidos negociem ações dessas empresas sem precisar acessar diretamente a B3, a bolsa de valores brasileira.

Existem tributações?

Os rendimentos obtidos com ADRs estão sujeitos a tributação tanto nos Estados Unidos quanto no país de origem da empresa, ou seja, o imposto sobre dividendos pode variar de acordo com os tratados tributários entre os dois países, e o investidor pode precisar declarar esses rendimentos no país onde reside. 

Além disso, a valorização dos ADRs pode gerar ganho de capital, que também pode ser tributado conforme a legislação aplicável.

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