Operações financeiras

Rating: entenda como funciona a classificação de risco das instituições

01 jul 2026 · 7 min de leitura


OPERAÇÕES FINANCEIRAS

Banco Travelex · 01 jul 2026 · 7 min de leitura


Existem diversos fatores que podem influenciar diretamente no mundo dos investimentos e a classificação de risco de crédito, ou rating, é um deles.Trata-se de uma ferramenta crucial no cenário econômico para instituições, investidores e até países.

Por meio da classificação de risco, é possível obter uma avaliação sistemática da saúde financeira e estabilidade de uma instituição ou até mesmo um estado ou um país. Basicamente, o “rating” tem um papel-chave na tomada de decisões de aplicações, oferecendo aos investidores uma visão clara do quão seguro é dispor dinheiro em uma determinada corporação.

Mas vamos começar do começo e nos aprofundar principalmente nos temas:

O que é rating?

O rating, também chamado de classificação de risco de crédito, nota de crédito e rating de crédito, é um sistema de avaliação que atribui uma nota às instituições (bancos, empresas, estados, países) com base em uma série de critérios, tais como desempenho financeiro, capacidade de pagamento de dívidas e estabilidade operacional.

Essas notas servem como um indicador para os investidores entenderem o nível de maturidade e solidez econômica da instituição e quais são os riscos associados a essa organização, permitindo assim que eles tomem decisões informadas na hora de decidir onde aplicar o dinheiro. Quanto melhor for o resultado, mais segura é a aplicação financeira naquela instituição.

Esse tipo de classificação é realizada por agências especializadas que são contratadas pela empresa, pelo país ou pelo banco que pretende ser avaliado. 

As principais agências de rating

Protagonistas nesse cenário de avaliação financeira, as principais agências de rating no Brasil são a Standard & Poor’s, Moody’s e Fitch. Quando uma instituição quer passar pela avaliação para receber uma nota, costumam recorrer a uma dessas três agências, que serão responsáveis por analisar minuciosamente as finanças daquele negócio e atribuir uma classificação correspondente.

Cada agência possui critérios e metodologias próprias, mas, geralmente, a classificação varia de “AAA”, sendo o indicador para uma boa avaliação e baixíssimo risco apresentado pela instituição, até a “D”, justificada como má avaliação e risco alto de investimento.

A Standard & Poor’s trabalha com uma classificação muito semelhante a Fitch, sendo que as avaliações são definidas da seguinte maneira para graus de investimento (menor risco de inadimplência) e para grau especulativo (classificações mais arriscadas):

Grau de Investimento: AAA, AA+, AA, AA-, A+, A, A-, BBB+ ,BBB, BBB-;

Grau especulativo: BB+, BB, BB-, B+, B, B-: as classificações seguintes variam entre as empresas, mas vão de CCC+ até D e representam os maiores riscos possíveis. 

Já na Moody’s, a lógica é a mesma, mas com símbolos distintos: 

Grau de investimento: Aaa, Aa1, Aa2, Aa3, A1, A2, A3, Baa1, Baa2, Baa3;

Grau especulativo: Ba1, Ba2, Ba3, B1, B2, B3, Caa1, Caa2, Caa3, Ca, C.

Em outubro, a Fitch Ratings atribuiu ao Travelex Bank, primeiro banco exclusivo para operações de câmbio regulamentado pelo Banco Central no País, os ratings iniciais nacionais de Longo Prazo ‘BBB (bra) ’ e curto prazo ‘F2(bra) ’, índices classificados como de “boa qualidade”.

Quais são os fatores considerados no rating?

Para atribuir uma classificação, as agências especializadas fazem uma pesquisa minuciosa e consideram diversos fatores-chave que influenciarão diretamente na nota designada para a instituição que pediu para ser avaliada.

  • Desempenho Financeiro

As agências avaliam a saúde financeira da instituição, levando em consideração os balanços, demonstrativos de resultados e fluxos de caixa. Quando uma organização demonstra um desempenho consistente e sólido, geralmente consegue receber uma classificação mais alta.

  • Taxas de Juros

As taxas de juros desempenham um papel crítico na avaliação do risco financeiro das empresas. Instituições que conseguem gerenciar eficientemente custos de dívida em ambientes de taxas de juros variáveis ​​tendem a ter ratings de crédito mais altos. Por outro lado, condições de juros desfavoráveis ​​podem aumentar o risco percebido e impactar negativamente a nota final de uma companhia.

  • Capacidade de pagamento de dívidas

A capacidade de uma instituição honrar seus compromissos financeiros, como o pagamento de juros e amortizações de dívidas, é um fator crítico levado em consideração pelas agências de crédito para a determinação do rating. Ainda que cada agência especializada tenha critérios diferentes, a capacidade para pagar dívidas costuma ser um elemento básico para avaliação.

  • Gestão e Governança

A eficácia da administração e a qualidade da governança corporativa são avaliadas. Isso vale para a empresa que está sendo analisada e também para matrizes e filiais, que podem influenciar diretamente na classificação final. Por exemplo: uma empresa no Brasil que tenha uma matriz na Europa tem sua nota diretamente impactada pela forma como a unidade mãe no exterior é gerenciada, independente de como estão conduzindo os negócios em solo brasileiro. Instituições bem geridas e com boas práticas de governança tendem a receber classificações mais altas.

  • Ambiente Macroeconômico

Fatores externos e que nem sempre podem ser controlados pelas empresas também são considerados como critério de avaliação pelas agências. As condições e o cenário econômico global e regional são aspectos que entram em pauta na hora de classificar uma instituição. 

Depois de levar em consideração esses e outros aspectos, como projeção de resultados futuros e ambiente institucional, o analista designado por levantar as informações e realizar a pesquisa de uma instituição irá apresentar os dados coletados ao comitê de pontuação da agência para, assim, chegar a um resultado.

É importante salientar que o rating é um ótimo indicador, mas não é infalível. A nota de uma empresa pode ser influenciada posteriormente por imprevistos, mudanças abruptas no mercado e até mesmo eventuais falhas nas metodologias das agências que a avaliaram. Além disso, essa nota pode ser melhorada ou rebaixada com novas análises periódicas.

Por que é importante saber o rating das instituições?

No contexto geral, é importante compreender como funciona a classificação de risco de crédito das instituições, pois assim os investidores podem mitigar erros de investimentos e tomar decisões mais conscientes, contribuindo para um mercado financeiro mais sólido e transparente.

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